Sol Flamejante do Sertão

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A Noite Sinistra
Era uma sexta-feira sinistra. O dia inteiro chovia e fazia um frio de cortar a pele. Eu vagava pelas ruas sem destino. Quando o relógio marcou oito da noite, voltei para casa.

A casa estava gelada. Fui até a cozinha, preparei um chá bem quente para aquecer o corpo e sonhar com um novo dia. Liguei a televisão, mas não havia nada de interessante.

De repente, apareceu um charlatão dizendo ser pastor. Ele anunciava que estava vendendo terrenos no céu.

— Irmão, esta é sua grande oportunidade! Construa uma linda mansão no céu! Mas é só até meia-noite! Os terrenos estão em promoção! Com apenas uma pequena entrada de um salário mínimo, você garante seu lote. Terreno de dez por quarenta metros, com sombra à tarde, e o restante em doze prestações de um pequeno salário mínimo.

E continuava:

— Compre hoje! Se Deus recolher sua alma amanhã, sua casa já estará pronta no céu! Quem quiser, dê um passo à frente! Agora vamos ouvir os testemunhos dos irmãos que já receberam suas escrituras. Os anjos já estão entregando as chaves!

Eu, que pensava já ter visto de tudo em matéria de safadeza, desliguei a televisão. Fui me deitar indignado.

Rolei de um lado para o outro na cama. O sono não vinha. Meu coração estava pesado diante de tanta enganação. Até pensei que não queria mais viver em um mundo onde pessoas exploram a fé dos outros.

Finalmente adormeci.

De repente, ouvi uma voz dizendo:

— Eu vim te buscar.

Abri os olhos assustado.

À minha frente estava uma mulher vestida de preto, com as roupas manchadas de sangue. Um cheiro de cemitério tomava conta do quarto. Tentei me levantar, mas ela disse:

— Fique quieto, velho... ou será pior para você.

Quis pedir socorro, mas minha voz não saía.

Ela continuou:

— Você não estava reclamando? Não dizia que queria morrer?

Empunhando uma foice manchada de sangue, avançou para me golpear.

Naquele instante, com toda a força da minha alma, clamei:

— Jesus Cristo!

No mesmo momento, tudo desapareceu.

Acordei gritando, com o coração acelerado:

— Graças ao Senhor Jesus Cristo, meu Salvador!

Assim terminou aquela noite sinistra. E eu compreendi que, mesmo nos momentos mais escuros, Cristo continua sendo o meu libertador.
Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 01/07/2026
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