

Na infinita solidão do meu quarto, Chamo por ti na sombra do luar… Mas o silêncio responde ao meu pranto, E eu me revolvo na cama, a te procurar. Não estás… acordo em lágrimas frias, Que me molham o rosto cansado. Recordo as noites ardentes, vazias, Que o tempo deixou no passado. Noites eternas, gravadas no peito, Como um fado escrito em mim. Tento calar este pranto desfeito, Mas a saudade não tem fim. Abro uma garrafa de vinho tardio, Sento-me ao som da nossa canção. E, entre acordes de dor e vazio, Volto a chorar na solidão. O vinho adormece sobre a mesa, E eu não consigo adormecer… Mudo de canais, perco a certeza De que um dia hei de te esquecer. Já nasce o dia… vou ao mar, Afogar no sal esta dor profunda. Mergulho nas águas de Genipabu, Onde o azul o céu inunda. Águas mornas, brando embalar, Sol dourado a me ferir. Nuvens tentam suavizar O que o meu peito insiste em sentir. Vejo os pássaros em seu bailado, Livres sobre o imenso azul… E eu, perdido no meu fado, Choro nas dunas de Genipabu. Recordo o tempo em que éramos dois, Passeando de buggy nas dunas brancas… Hoje restam memórias e depois A dor que o silêncio arranca. Regresso a casa, vencido e só, Prisioneiro da recordação. Sou viajante do teu corpo em pó, Para não morrer na solidão. Não sabia o quanto era feliz, Nem que o destino seria assim… Hoje o coração, triste aprendiz, Aprende a viver sem ti. E ainda escuto, no eco da tarde, As batidas do teu coração… Enquanto acaricio na memória que arde Teu corpo dourado ao sol do verão. Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 28/02/2026
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